O QUE É A MIOPIA?

 

A MIOPIA é um termo médico muito divulgado pela população em geral e popularmente conhecido como “dificuldade em ver bem ao longe”. É, provavelmente, a disfunção do sistema visual mais conhecida e estima-se que pode atingir cerca de 15 a 25% da população, dependendo do continente em causa.

A pessoa afectada com miopia, se não corrigida, “vê desfocado ao longe” no entanto, o inverso pode não ser verdade. Ou seja, nem todas as pessoas que “vêm mal ao longe” sofrem necessariamente de miopia. Outras causas possíveis são alguns tipos de astigmatismos ou cataratas, isto só para citar as mais frequentes.

É também importante referir que as pessoas afectadas pela miopia podem ter também outras disfunções oculares, como por exemplo o astigmatismo (a mais comum), catarata, patologia da córnea, patologia da retina, entre outras.

À semelhança do ASTIGMATISMO e da HIPERMETROPIA, a MIOPIA mede-se em DIOPTRIAS.

Quanto mais desfocagem provoca, mais dioptrias a miopia em causa deverá ter.

 

COMO VÊEM AS PESSOAS COM MIOPIA?

Como bem ilustram as imagens em baixo, quanto mais afastado estiver um objecto de uma pessoa míope, tanto mais desfocado o vê. No exemplo das fotos em baixo (crianças com bolas na mão), a bola amarela que está próximo é vista relativamente bem focada enquanto os rostos das crianças já estão desfocados, situação essa que se agrava em relação à vedação em madeira que está ainda mais longe.

Para melhor entender a MIOPIA, podemos comparar o olho humano a uma câmara fotográfica (comparação grosseira mas muito didáctica). O olho com MIOPIA pode assim corresponder a uma câmara cujas suas lentes (objectiva) não foram devidamente focadas produzindo uma foto desfocada. É dessa forma que a pessoa com MIOPIA vê – desfocado! Na verdade, o olho humano também tem lentes, que fazem parte da sua anatomia. Essas lentes (o cristalino e a córnea) são as responsáveis pela focagem da luz na zona sensível, a retina. Continuando com a analogia com a câmara fotográfica, a córnea e o cristalino corresponderiam à objectiva (lentes) enquanto a retina corresponderia ao rolo fotográfico (isto no tempo das câmaras fotográficas não digitais). Assim sendo, podemos explicar a miopia como a situação em que as lentes do olho vão focar a luz num ponto (ponto focal) que não vai coincidir com a retina, mas sim antes da retina – ver imagens em baixo. Neste caso, a luz quando atinge a retina já deixou de estar focada! Veja-se as imagens em baixo:

A imagem exposta aqui em baixo tenta demonstrar como, à distância, uma pessoa com miopia de uma dioptria (1D), de duas dioptrias (2D) e de três dioptrias (3D) consegue ver uma tabela de optotipos (“letras”) em comparação com pessoas sem miopia.

TIPOS DE MIOPIA

Existem casos de miopia um pouco mais complexos, habitualmente acompanhados de outros problemas oftalmológicos, como por exemplo na retina, e que habitualmente estão associados a “graduações” mais elevadas. Estes casos são habitualmente conhecidos de miopia patológica por oposição aos casos mais comum que em muitos casos são conhecidos por miopia simples ou de índice.

COMO TRATAR A MIOPIA?

Durante muitos e muitos anos, a única solução para a miopia era a utilização de óculos graduados cuja “graduação” (potência) das lentes é tanto maior quanto maior for a miopia. Quanto maior é a “graduação” mais espessa é a lente dos óculos e menos confortável é a visão p roduzida por esse tipo de óculos.

Não se trata apenas do efeito estético que uns óculos com lentes muito “graduadas” possam implicar, mas também da qualidade da visão, especialmente na periferia do campo visual, que se torna muito sujeita a imperfeições (aberrações ópticas).

A figura em baixo tenta simular uma das muitas aberrações ópticas que prejudicam a qualidade da visão de quem usa óculos com “graduação elevada” em comparação com uma visão sem óculos:

 

 

De alguma forma, as lentes de contacto vieram tentar contrariar estas incapacidades, mas elas próprias trouxeram também, em alguns casos, algumas dificuldades adicionais: intolerância, dificuldade de manuseio, infecções e inflamações oculares, úlceras, entre muitas outras.

Há décadas que a microcirurgia da miopia era uma ambição de oftalmologistas e das pessoas que sofriam de miopia. A ideia de que com um acto médico se pudesse passar a ver focado sem ter que depender de qualquer auxiliar (óculos ou lentes de contacto) era quase uma miragem há cerca de 50 anos. Os vertiginosos avanços da medicina na segunda metade do séculos XX apoiados na evolução tecnológica da biofísica e engenharias veio tornar realidade o “sonho”.

Na verdade, são hoje muito poucos os casos de miopia que não podem ser corrigidos e cuja dependência de óculos não possa desaparecer por completo ou diminuir drasticamente.

A MICROCIRURGIA DA MIOPIA

Em vez de falarmos em microcirurgia da miopia devemos falar em microcirurgias da miopia, pois hoje em dias existem vários tipos de técnicas que podem ser utilizadas. A população em geral conhece mais a utilização do LASER, mas existem outras técnicas igualmente muito avançadas e muito eficazes, como a utilização das lentes intra-oculares, das micro-incisões na córnea assistidas ou não por LASER, a colocação de “anéis” ou lentes intra-corneanas” e mesmo a junção de dois ou mais métodos.

A microcirurgia da MIOPIA é hoje possível na maioria dos casos,

mesmo que associada a ASTIGMATISMO

À medida que a microcirurgia foi evoluindo, a complexidade tecnológica dos aparelhos utilizados aumentou e a necessidade de sub-especialização dos oftalmologistas tornou-se essencial. Assim, ocorre que só os médicos oftalmologistas que adquiriram treino, formação e qualificação em cirurgia refractiva é que hoje em dia dominam as tecnologias mais avançadas da microcirurgia da miopia ou da cirurgia oftalmológica em geral.

Por outro lado, com todo a evolução médica e tecnológica, para o “paciente”, a microcirurgia tornou-se num acto muito eficaz, muito seguro, indolor, com anestesia tópica (“por gotas”), de recuperação rápida e com a possibilidade de retomar precocemente as actividades pessoais e profissionais a partir do dia seguinte.

Complicações e riscos do passado, que já eram muito limitados, alguns são hoje inexistentes e outros foram minimizados e controlados pela acção do cirurgião mais especializado e com equipamento mais perfeito.

Casos de miopia (e outros) que há 5 ou 10 anos não tinham indicação para correcção microcirúrgica, são hoje tratados diariamente com eficácia e segurança. O surgimento de novos LASERs (femtosegundo, EXCIMERs de alta frequência, novos “softwares”, etc) permitem reduzir o número de casos que não têm indicação para serem tratados. Por outro lado, a segurança e eficácia dos outros métodos que não os LASERs, como por exemplo a utilização de Lentes Intra-oculares, hoje em dia suportados por estudos clínicos de larga escala e ainda mais aprofundados, vieram complementar as ferramentas que o cirurgião actualizado tem para tratar os pacientes que o procuram.

O Dr. Armando Garcia, que acompanhou toda a evolução médica e tecnológica das últimas décadas, tem uma vastíssima experiência médica e cirúrgica que pode ajudá-lo a decidir quando e como corrigir definitivamente o seu astigmatismo.