O QUE É A HIPERMETROPIA?

Antes de falarmos em HIPERMETROPIA, seria conveniente o leitor ler o capítulo referente à MIOPIA. Pois, na verdade, a HIPERMETROPIA é o fenómeno INVERSO da MIOPIA.

A HIPERMETROPIA é um termo médico pouco conhecido pela população em geral e define uma disfunção da focagem em que a imagem é vista de forma “desfocada” que se agrava à medida que nos aproximamos do que queremos focar. Ora, exactamente o OPOSTO do que acontece na MIOPA (em que, nesta última, a imagem é tanto mais desfocada quanto mais longe estiver).

Apesar da designação HIPERMETROPIA ser pouco conhecida, esta disfunção é muito comum na população existindo quem afirme que é a disfunção mais comum dos olhos e que pode atingir cerca de metade da população. Embora dados mais rigorosos sejam desconhecidos, o certo é que a HIPERMETROPIA é muito comum, muito prevalente.

Pelo que foi dito, é legitimo surgir a seguinte questão: se é tão comum na população em geral, por que é que a HIPERMETROPIA não é tão conhecida como outras disfunções, como por exemplo a miopia ou cataratas?

Provavelmente a HIPERMETROPIA não é tão conhecida pois o olho humano, na maioria dos casos, tem a capacidade de compensar espontaneamente (sem ajuda de óculos ou laser ou outra microcirurgia) a HIPERMETROPIA. Por outras palavras, podemos dizer que muitas pessoas que aparentemente têm uma boa acuidade visual sem usar óculos (sem qualquer correcção), poderão na verdade ter HIPERMETROPIA que está compensada (“escondida”), de forma não consciente, e por isso dizemos que é NÃO MANIFESTA. Isso talvez explique o facto de a HIPERMETROPIA ser pouco conhecida da população, pois ela só se manifesta-se numa pequena parte dos casos.

À semelhança do ASTIGMATISMO e da MIOPIA, a HIPERMETROPIA mede-se em DIOPTRIAS.

Quanto mais desfocagem provoca, mais dioptrias a hipermetropia em causa deverá ter.

É também importante referir que as pessoas afectadas pela hipermetropia podem ter também outras disfunções oculares, como por exemplo o astigmatismo (a mais comum), catarata, patologia da córnea, patologia da retina, entre outras.

COMO VÊEM AS PESSOAS COM HIPERMETROPIA?

Como bem ilustram as imagens em baixo, quanto mais próximo estiver um objecto de uma pessoa com hipermetropia, tanto mais desfocado o vê. No exemplo das fotos em baixo os objectos próximos (o jornal e a mão) são vistos de “desfocados” enquanto que os objectos mais distantes (cadeira e janela) mantêm-se relativamente menos focados (pouco desfocados).

Neste outro exemplo (ver em baixo) no caso da HIPERMETROPIA, o que está próximo (as flores amarelas e o relvado) são vistos de forma desfocada, enquanto o que está distantes (o palácio) é visto de forma focada ou menos desfocada.

Para melhor entender a HIPERMETROPIA, podemos comparar o olho humano a uma câmara fotográfica (comparação grosseira mas muito didáctica). O olho com HIPERMETROPIA pode assim corresponder a uma câmara cujas suas lentes (objectiva) não foram devidamente focadas produzindo uma foto desfocada. É dessa forma que a pessoa com HIPERMETROPIA vê – desfocado!

Na verdade, o olho humano também tem lentes, que fazem parte da sua anatomia. Essas lentes (o cristalino e a córnea) são as responsáveis pela focagem da luz na zona sensível, a retina. Continuando com a analogia com a câmara fotográfica, a córnea e o cristalino corresponderiam à objectiva (lentes) enquanto a retina corresponderia ao rolo fotográfico (isto no tempo das câmaras fotográficas não digitais).

Assim sendo, podemos explicar a HIPERMETROPIA como a situação em que as lentes do olho vão focar a luz num ponto (ponto focal) que não vai coincidir com a retina, mas sim A TRÁS da retina – ver imagens em baixo. Neste caso, a luz quando atinge a retina ainda não está focada! Veja-se as imagens em baixo:

TIPOS DE HIPERMETROPIA

Existem casos de HIPERMETROPIA um pouco mais complexos, habitualmente acompanhados de outros problemas oftalmológicos, como por exemplo de glaucoma, alterações no desenvolvimento anatómico do olho, etc. Muitas vezes estes casos estão associados a “graduações” mais elevadas. Os casos mais banais e mais comuns são conhecidos por miopia HIPERMETROPIA de índice.

 

 

POR QUE É QUE ALGUMAS PESSOAS COM HIPERMETROPIA VÊM FOCADO SEM CORRECÇÃO E OUTRAS NÃO?

Esta questão é fundamental e muito importante!

Já em cima referimos este facto e que explica que a HIPERMETROPIA, sendo uma patologia tão comum, não é muito conhecida. Na verdade, só se faz sentir numa pequena percentagem de pessoas que a têm (ou como os médicos dizem, quando é manifesta).

O OLHO TEM UM “AUTOFOCO”?

Se bem entendeu o que é a HIPERMETROPIA (ver desenho do olho em cima) então entendeu que no olho com hipermetropia a imagem é focada, não na retina, mas atrás dela. Este fenómenos que levaria a que víssemos a imagem desfocada pode ser compensado de forma não consciente (sem perceber que o estamos a fazer) pelas próprias lente do olho (cristalino), que faz parte da sua anatomia. É como que se nestes casos o olho possuísse um AUTO-FOCO, comparável a uma câmara de filmar ou fotografar moderna.

Ora este “AUTO-FOCO” do olho não consegue compensar todas as HIPERMETROPIAS, só as ligeiras (as mais frequentes). As mais elevadas (mais dioptrias) mais dificilmente serão compensadas e tornam-se manifestas, por outras palavras, dão origem a visão desfocada.

Assim, podemos generalizar que o olho humano tem a capacidade de compensar espontaneamente as HIPERMETROPIAS ligeiras (e por isso essas pessoas “vêem focado” sem correcção) e não consegue compensar totalmente as HIPERMETROPIAS moderadas e altas (mais dioptrias). Nestes casos as pessoas “vêem desfocado” (quanto mais perto mais desfocado), por outras palavras, o “AUTOFOCO” do olho tem um limite!

Mais interessante ainda é que esse limite do “AUTOFOCO” não é sempre o mesmo a vida toda. Em termos gerais podemos afirmar que a capacidade de compensar espontaneamente a HIPERMETROPIA vai diminuindo com a idade. Isto explica que por exemplo um adolescente possa ver focado sem correcção (sem óculos) e pelos 35 a 40 anos precisar de óculos para compensar a HIPERMETROPIA, ou seja, para ver focado (quer ao longe, quer ao perto).

Não é incomum encontrarmos adolescentes que, se bem avaliados têm 4 dioptrias de HIPERMETROPIA, e que vêm 100% focado sem óculos ou outra correcção. Isto é explicado pelo fenómeno descrito em cima a que chamei de “AUTOFOCO” do olho (os oftalmologistas chamam de reserva acomodativa).

COMO TRATAR A HIPERMETROPIA?

Durante muitos e muitos anos, a única solução para a HIPERMETROPIA era a utilização de óculos graduados cuja “graduação” (potência) das lentes é tanto maior quanto maior for a HIPERMETROPIA. Quanto maior é a “graduação” mais espessa é a lente dos óculos e menos confortável é a visão produzida por esse tipo de óculos.

Não se trata apenas do efeito estético que uns óculos com lentes muito “graduadas” possam implicar, mas também da qualidade da visão, especialmente na periferia do campo visual, que se torna muito sujeita a imperfeições (aberrações ópticas).

A figura em baixo tenta simular uma das muitas aberrações ópticas que prejudicam a qualidade da visão de quem usa óculos com “graduação elevada” em comparação com uma visão sem óculos:

De alguma forma, as lentes de contacto vieram tentar contrariar estas incapacidades, mas elas próprias trouxeram também, em alguns casos, algumas dificuldades adicionais: intolerância, dificuldade de manuseio, infecções e inflamações oculares, úlceras, entre muitas outras, com particular incidência nos casos de HIPERMETROPIA.

Há décadas que a microcirurgia da HIPERMETROPIA era uma ambição de oftalmologistas e das pessoas que sofriam desta disfunção. A ideia de que com um acto médico se pudesse passar a ver focado sem ter que depender de qualquer auxiliar (óculos ou lentes de contacto) era quase uma miragem há cerca de 50 anos. Os vertiginosos avanços da medicina na segunda metade do séculos XX apoiados na evolução tecnológica da biofísica e engenharias veio tornar realidade o “sonho”.

 

Na verdade, são hoje muito poucos os casos de HIPERMETROPIA que não podem ser corrigidos
e cuja dependência de óculos não possa desaparecer por completo ou diminuir drasticamente.

 

A MICROCIRURGIA DA HIPERMETROPIA

Em vez de falarmos em microcirurgia da HIPERMETROPIA devemos falar em microcirurgias da HIPERMETROPIA, pois hoje em dias existem vários tipos de técnicas que podem ser utilizadas. A população em geral conhece mais a utilização do LASER, mas existem outras técnicas igualmente muito avançadas e muito eficazes, como a utilização das lentes intra-oculares, das micro-incisões na córnea assistidas ou não por LASER, a colocação de “implantes” ou lentes intra-corneanas” e mesmo a junção de dois ou mais métodos.

 

A microcirurgia da HIPERMETROPIA é hoje possível na maioria dos casos, mesmo que associada a ASTIGMATISMO

 

À medida que a microcirurgia foi evoluindo, a complexidade tecnológica dos aparelhos utilizados aumentou e a necessidade de sub-especialização dos oftalmologistas tornou-se essencial. Assim, ocorre que só os médicos oftalmologistas que adquiriram treino, formação e qualificação em cirurgia refractiva é que hoje em dia dominam as tecnologias mais avançadas da microcirurgia da HIPERMETROPIA ou da cirurgia oftalmológica em geral.

Por outro lado, com todo a evolução médica e tecnológica, para o “paciente”, a microcirurgia tornou-se num acto muito eficaz, muito seguro, indolor, com anestesia tópica (“por gotas”), de recuperação rápida e com a possibilidade de retomar precocemente as actividades pessoais e profissionais a partir do dia seguinte.

Complicações e riscos do passado, que já eram muito limitados, alguns são hoje inexistentes e outros foram minimizados e controlados pela acção do cirurgião mais especializado e com equipamento mais perfeito.

Casos de HIPERMETROPIA (e outros) que há 5 ou 10 anos não tinham indicação para correcção microcirúrgica, são hoje tratados diariamente com eficácia e segurança. O surgimento de novos LASERs (femtosegundo, EXCIMERs de alta frequência, novos “softwares”, etc) permitem reduzir o número de casos que não têm indicação para serem tratados. Por outro lado, a segurança e eficácia dos outros métodos que não os LASERs, como por exemplo a utilização de Lentes Intra-oculares, hoje em dia suportados por estudos clínicos de larga escala e ainda mais aprofundados, vieram complementar as ferramentas que o cirurgião actualizado tem para tratar os pacientes que o procuram.

O Dr. Armando Garcia, que acompanhou toda a evolução médica e tecnológica das últimas décadas, tem uma vastíssima experiência médica e cirúrgica que pode ajudá-lo a decidir quando e como corrigir definitivamente o seu astigmatismo.