O que é o Astigmatismo?

A ASTIGMATISMO é um termo médico que define uma dificuldade de focagem e que é muito comum na população em geral. Afecta todas as idades e, quando é de “baixa intensidade” (fraca potência), é compatível com uma vida normal sem o auxílio sequer de óculos.

Na verdade, o olho humano tem uma capacidade natural de compensar o astigmatismo ligeiro (de baixa potência) permitindo uma visão focada. Mesmo nestes casos, algumas pessoas acabam por optar por usar óculos em situações ocasionais, como por exemplos em períodos de maior fadiga, em períodos de leitura prolongada ou de utilização do computador durante várias horas. Ainda assim, nestas situações, as pessoas não são dependentes dos óculos de correcção.

Fisiologicamente, o astigmatismo não é muito fácil de entender para quem não está familiarizado com conceitos físicos relacionados com a óptica ocular. A origem do astigmatismo é uma “deformação” da córnea, que é a parte transparente do olho (ver imagem em baixo). Através da córnea, a luz entra no olho e é também através dela que vemos a íris (a “cor dos olhos”). A córnea é encurvada, como se fosse uma cúpula de uma basílica, mas nos casos de astigmatismo esse encurvamento não é igual ao longo de toda a circunferência da córnea. Existe um plano mais encurvado e um plano menos encurvado (ver na imagem).

À semelhança da MIOPIA e da HIPERMETROPIA, o ASTIGMATISMO mede-se em DIOPTRIAS.

Quanto mais desfocagem provoca, mais dioptrias o astigmatismo em causa deverá ter.

COMO VÊEM AS PESSOAS COM ASTIGMATISMO?

O ASTIGMATISMO é uma das causas mais comuns de “visão desfocada” ou, como dizem os médicos oftalmologistas, AMETROPIA. A forma como as pessoas descrevem a visão desfocada é muito variada e poderíamos citar uma lista interminável de adjectivos. Na verdade, a desfocagem produzida pelo astigmatismo pode definir-se como um arrastamento da imagem, que a desfoca e distorce, e quanto maior o astigmatismo, maior a distorção e maior a dificuldade em ver.

O ASTIGMATISMO pode ser referido pelas pessoas afectadas como uma confusão na distinção de alguns números e letras. Por exemplo, é comum ser referida a confusão fácil entre os números “0”, “6” e “8” ou entre as letras “M”, “H”, “N” ou entre “C” e “O” e ainda entre “R”, “A” e “K”. Isto para citar alguns dos exemplos, pois a lista é quase infindável.

Nos casos de ASTIGMATISMO mais fortes, de maior potência dióptrica, a desfocagem é mais acentuada o que condiciona uma incapacidade visual maior. Nesses casos, a capacidade de reconhecer letras, números e imagens é muito afectada, muitas das vezes tornando impossível uma acuidade visual útil que permita ler, conduzir ou mesmo desempenhar tarefas simples da vida do dia-a-dia.

Numa tentativa de ilustrar como vê a pessoa com astigmatismo, é importante entender que, ao contrário da MIOPIA e da HIPERMETROPIA, a desfocagem provocada pelo ASTIGMATISMO não é da mesma intensidade em todas os planos ou eixos da imagem a ser vista (recordar a causa do astigmatismo e reveja a imagem em cima). Veja o exemplo que se segue:

1. Se mostrarmos esta imagem (“teste do relógio ou ventoinha”) a uma pessoa:

2. Uma pessoa com visão normal (emetrope, como dizem os médicos oftalmologistas) verá:

Todas as linhas igualmente focadas (do 1 ao 12)

3. Uma pessoa com astigmatismo (ligeiro – exemplo A, ou moderado – exemplo B) verá umas linhas mais desfocadas do que outras, consoante o plano/eixo do astigmatismo ou, por outras palavras, conforme a deformação da córnea :

4. Para melhor entender, e por comparação, a pessoa com MIOPIA, viria a imagem a cima, toda ela igualmente desfocada (exemplo C):

5. A mesma simulação mas para um conjunto de letras, por exemplo:    C G T C V E

6. Outra simulação mas para uma imagem, por exemplo:

TIPOS DE ASTIGMATISMO

Os médicos oftalmologistas dividem os casos de astigmatismos em vários sub-grupos. Sem nos alongarmos em descrições muito técnicas podemos resumir que o astigmatismo pode ser:

1. MIÓPICO: Quando a desfocagem é maior na visão ao longe, embora ao perto também origine visão desfocada.

2. HIPERMETRÓPICO: Quando a desfocagem é maior na visão de perto, embora ao longe também origine desfocagem.

Pode também ser classificado em:

1. SIMPLES: quando o astigmatismo é o único responsável pelo “defeito de focagem”.

2. COMPOSTO: quando a desfocagem é da responsabilidade não só do astigmatismo mas também da associação com MIOPIA ou HIPERMETROPIA.

3. MISTO: quando o astigmatismo incorpora propriedade de ambos, MIOPIA e HIPERMETROPIA.

4. REGULAR : a córnea, apesar do astigmatismo, tem uma topografia regular.

5. IRREGULAR: a córnea, além do astigmatismo, tem uma topografia irregular

COMO TRATAR O ASTIGMATISMO?

Tudo o que foi dito em relação ao tratamento da MIOPIA pode, em certa medida, ser aplicado ao ASTIGMATISMO.

É verdade que ainda é comum, na população em geral, ouvirmos dizer que, ao contrário da miopia, o astigmatismo não tem solução senão com a utilização de óculos. Tal é falso e só pode ter origem em opiniões muitas décadas desactualizadas, pois nos dias de hoje, a maioria dos astigmatismos poderão ser tratados como a miopia.

Durante muitos e muitos anos, a única solução para o astigmatismo era a utilização de óculos graduados cuja “graduação” (potência) das lentes é tanto maior quanto maior for o astigmatismo. Quanto maior é a “graduação” mais espessa é a lente dos óculos e menos confortável é a visão produzida por esse tipo de óculos.

Não se trata apenas do efeito estético que uns óculos com lentes muito “graduadas” possam implicar, mas também da qualidade da visão, especialmente na periferia do campo visual, que se torna muito sujeita a imperfeições (aberrações ópticas).

A figura em baixo tenta simular uma das muitas aberrações ópticas que prejudicam a qualidade da visão de quem usa óculos com “graduação elevada” em comparação com uma visão sem óculos:

De alguma forma, as lentes de contacto tentaram contrariar estas incapacidades, mas elas próprias trouxeram também, em alguns casos, algumas dificuldades adicionais: intolerância, dificuldade de manuseio, infecções e inflamações oculares, úlceras, entre muitas outras. No caso específico do astigmatismo, especialmente o hipermetrópico, as lentes de contacto tóricas têm um sucesso muito limitado e muitas das vezes obrigam à utilização de lentes de contacto “semi-rígidas” que não são tão bem toleradas pela maioria das pessoas.

Há décadas que a microcirurgia do astigmatismo era uma ambição de oftalmologistas e das pessoas que sofriam de deste distúrbio visual. A ideia de que com um acto médico se pudesse passar a ver focado sem ter que depender de qualquer auxiliar (óculos ou lentes de contacto) era quase uma miragem há cerca de 50 anos. Os vertiginosos avanços da medicina na segunda metade do séculos XX apoiados na evolução tecnológica da biofísica e engenharias veio tornar realidade o “sonho”.

Na verdade, são hoje muito poucos os casos de astigmatismo que não podem ser corrigidos e cuja dependência de óculos não possa desaparecer por completo ou diminuir drasticamente.

A MICROCIRURGIA DO ASTIGMATISMO

Em vez de falarmos em microcirurgia do astigmatismo devemos falar em microcirurgias do astigmatismo, pois hoje em dias existem vários tipos de técnicas que podem ser utilizadas. A população em geral conhece mais a utilização do LASER, mas existem outras técnicas igualmente muito avançadas e muito eficazes, como a utilização das lentes intra-oculares tóricas, as micro-incisões na córnea assistidas ou não por LASER, a colocação de “anéis” ou mesmo a junção de dois ou mais métodos.

A microcirurgia do ASTIGMATISMO é hoje possível na maioria dos casos,
mesmo que associado a MIOPIA ou HIPERMETROPIA.

À medida que a microcirurgia foi evoluindo, a complexidade tecnológica dos aparelhos utilizados aumentou e a necessidade de sub-especialização dos oftalmologistas tornou-se essencial. Assim, ocorre que só os médicos oftalmologistas que adquiriram treino, formação e qualificação em cirurgia refractiva é que hoje em dia dominam as tecnologias mais avançadas da microcirurgia do astigmatismo ou da cirurgia oftalmológica em geral.

Por outro lado, com todo a evolução médica e tecnológica, para o “paciente”, a microcirurgia tornou-se num acto muito eficaz, muito seguro, indolor, com anestesia tópica (“por gotas”), de recuperação rápida e com a possibilidade de retomar precocemente as actividades pessoais e profissionais a partir do dia seguinte.

Complicações e riscos do passado, que já eram muito limitados, alguns são hoje inexistentes e outros foram minimizados e controlados pela acção do cirurgião mais especializado e com equipamento mais perfeito.

Casos de astigmatismo que há 5 ou 10 anos não tinham indicação para correcção microcirúrgica, são hoje tratados diariamente com eficácia e segurança. O surgimento de novos LASERs (femtosegundo, EXCIMERs de alta frequência, novos “softwares”, etc) permitem reduzir o número de casos que não têm indicação para serem tratados. Por outro lado, a segurança e eficácia dos outros métodos que não os LASERs, como por exemplo a utilização de Lentes Intra-oculares tóricas, hoje em dia suportados por estudos clínicos de larga escala e ainda mais aprofundados, vieram complementar as ferramentas que o cirurgião actualizado tem para tratar os pacientes que o procuram.

O Dr. Armando Garcia, que acompanhou toda a evolução médica e tecnológica das últimas décadas, tem uma vastíssima experiência médica e cirúrgica que pode ajudá-lo a decidir quando e como corrigir definitivamente o seu astigmatismo.